A
urbanização altera o perfil das doenças infecciosas.
Estudamos a prevalência, transmissão e virulência
de patógenos de crescente importância no ambiente urbano,
como agentes enteropatogênicos, patógenos respiratórios
e fungos oportunistas.
Projeto
Características
biológicas, epidemiológicas e patológicas da infecção
esquistossomótica natural e experimental de roedores silvestres
Prof. José Roberto Machado e Silva
O
homem é o hospedeiro mais importante na esquistossomíase.
Em determinadas áreas de transmissão, os roedores silvestres
(Nectomys squamipes e Akodon cursor) estão infectados porém,
a prevalência da infecção natural é imprecisa.
Nos roedores, a infecção é mais branda do que na
espécie humana. Objetivos: Aprimorar os métodos de imuno-sorológicos
de diagnóstico laboratorial que são limitados pela pouca
sensibilidade; Avaliar a suscetibilidade do Nectomys squamipes a diferentes
cepas do parasito e demonstrar a sua utilidade como modelos experimentais
alternativos na esquistossomíase; Estudar a dinâmica de
crescimento dos vermes em diferentes intervalos de tempo, através
da análise biométrica e morfológica; Avaliar se
passagens sucessivas de uma cepa em N. squamipes produzem alterações
fenotípicas e genotípicas nos vermes adultos. A metodologia
a ser empregada será a captura de animais em área de transmissão
(Sumidouro, RJ) e realizar exame de fezes, necrópsia e as técnicas
de ELISA e imunoblotting. Espécimes criados em laboratório
são infectados, necropsiados com a retirada de órgãos
para análise histopatológica e coleta de vermes adultos.
Nestes são empregadas a análise morfométrica, microscopia
eletrônica de varredura e a microscopia de varredura laser confocal.
Estas técnicas são utilizadas e a análise genômica
dos vermes para avaliar o efeito das passagens sucessivas no roedor.
Espera-se que as técnicas de imunoblotting e ELISA sejam padronizadas
para aplicação no diagnóstico da infecção
natural de roedores. A partir dos estudos experimentais, deverão
ser conhecidos os fatores que controlam o curso da infecção
nestes hospedeiros.
Caracterização
fenotípica e genotípica de cepas de Aeromonas isoladas
de diversas fontes
Prof. Angela Corrêa de Freitas Almeida
A
importância do Gênero Aeromonas ,pertencente à família
Aeromonadaceae vem aumentando nas últimas décadas devido
a trabalhos que evidenciam sua participação em inúmeros
processos patológicos em seres humanos e animais, o que é
agravado quando se considera sua ampla distribuição ambiental.
O tipo mais frequente de infecção é a intestinal
e ocorre quando o indivíduo ingere água ou alimentos contaminados,
mas também são encontradas infecções extraintestinais
como de feridas, septicemia, meningite, pneumonia e doença hepatobiliar
.Este projeto tem por finalidade detectar determinantes ( fatores )
que estão envolvidos na virulência ( potencial patogênico
) de cepas de Aeromonas isoladas de alimento, material clínico
e meio ambiente. Essa caracterização vem sendo realizada
utilizando métodos fisiológicos laboratoriais convencionais
através da detecção da capacidade de produção
de toxinas, exoenzimas, capacidade de aderir e invadir linhagens celulares
em cultivo in vitro . Recentemente, métodos moleculares para
a determinação de cepas patogênicas vem sendo utilizada
com muito sucesso, especificidade e sensibilidade. Esses métodos
objetivam caracterizar e identificar genes marcadores de virulência.
São utilizadas técnicas moleculares como o PCR e a hibridação
para detecção de gens de virulência envolvidos na
produção de toxinas e hemolisinas. . Com o resultado deste
estudo esperamos contribuir para o entendimento da inter-relação
entre cepas recuperadas dos alimentos e cepas isoladas de espécimes
clínicos, demonstrando que os alimentos podem veicular cepas
com marcadores importantes de virulência ressaltando seu significado
na área da saúde pública , tornando possível
o desenvolvimento de procedimento de estratégias que garantam
a segurança alimentar e a saúde do consumidor.
Diagnóstico,
prevalência e caracterização do potencial patogênico
de Escherichia coli produtoras de toxina Shiga (STEC)
Prof. João Ramos Costa Andrade
As
Escherichia coli produtoras de toxina Shiga (STEC) são consideradas
típicos patógenos emergentes. Mais de 200 sorotipos de
STEC foram relatados mas certos sorotipos associam-se à doença
humana, especialmente O157:H7; O26:H11 e O111:H-, sendo denominados
E. coli enterohemorrágicas (EHEC). Um amplo espectro de doenças
humanas tem sido relacionado a estes patógenos, de diarréias
brandas a complicações graves como colite hemorrágica,
síndrome uremica hemolítica e púrpura trombótica
trombocitopenica. A toxina Shiga (Stx) é o principal fator de
virulência destes microrganismos e bovinos são o seu principal
reservatório, sendo a maioria dos surtos epidêmicos decorrentes
da transmissão do agente por carne bovina mal cozida e por leite
não-pasteurizado. Surtos e casos esporádicos são
reportados principalmente no hemisfério Norte mas também
em países como África do Sul, Austrália, Chile
e especialmente Argentina. Observa-se nítida associação
entre ocorrência de doença humana e colonização
do reservatório animal. No Brasil são poucos os relatos
de doença humana por STEC, contrastando com a vizinha Argentina,
que apresenta a mais alta prevalência mundial da doença.
Por outro lado, em nosso país STEC tem sido isolada de alimentos
e do reservatório bovino. Temos utilizado metodologia de diagnóstico
molecular (PCR e sondas genéticas) para identificar a presença
de STEC/EHEC. Estudo inicial do nosso grupo permitiu isolar, pela primeira
vez no país, amostras de STEC do sorotipo O157:H7, no Estado
do RJ. Em novo estudo, investigamos 2000 animais de 5 regiões
geopolíticas do Estado do Rio de Janeiro, com elevada positividade
(48%) para STEC e isolamento de STEC O157:H7. No Rio Grande do Sul,
obtivemos 61% de animais positivos para STEC, encontrando-se em andamento
o isolamento destes patógenos. As amostras já isoladas
nestes estudos vem sendo investigadas quanto a sua epidemiologia molecular
e estrutura clonal por RAPD-PCR e PFGE, genes de virulência e
propriedades de virulência como expressão de toxinas, atividade
hemolítica e aderência e invasão à células.
Recentemente, descrevemos uma nova propriedade de virulência para
estes microrganismos, a capacidade de invadir enterócitos humanos
in vitro.
Estrutura
genética de isolados clínicos de Escherichia coli enteroagregativa
(EAEC): filogenia, diversidade e virulência
Prof. João Ramos Costa Andrade e Prof. Maria das Graças de Luna
Gomes
Estudos
epidemiológicos recentes sugerem que cepas de Escherichia coli
enteroagregativa (EAEC) emergiram como um potencial patógeno
entérico causador de diarréia em crianças. Vários
estudos revelaram uma significativa associação entre EAEC
e a diarréia persistente, embora uma associação
entre EAEC e casos de diarréia aguda também tenha sido
descrita. A estrutura genética de populações de
E. coli patogênica tem sido amplamente estudada, mas pouco se
sabe sobre a filogenia de patógenos emergentes como EAEC. Portanto,
o estudo filogenético de EAEC merece maiores investigações
para melhor compreensão das bases genéticas desse enteropatógeno
emergente. Em nosso estudo utilizamos um conjunto de cepas EAEC isoladas
por Rosa e colaboradores (J. Med. Microbiol., 47: 781-790;1998). As
cepas EAEC foram isoladas de fezes de crianças de área
urbana, com menos de dois anos de idade, internadas no Hospital Universitário
Pedro Ernesto (HUPE) com sintomas de diarréia aguda e de crianças
saudáveis não-hospitalizadas que não apresentavam
sintomas. A aplicação conjunta das técnicas de
PCR-triplex e RAPD-PCR para identificação dos grupos filogenéticos
permite o agrupamento filogenético das cepas EAEC analisadas
e a diferenciação de linhagens pertencentes a um mesmo
grupo filogenético. Os objetivos específicos são:
i) Determinar a posição filogenética das cepas
EAEC dentro da coleção ECOR, ii) Investigar a relação
entre grupos filogenéticos e os sorotipos EAEC, iii) Estabelecer
uma associação entre grupos filogenéticos, a presença
de genes de virulência e o potencial patogênico das cepas
EAEC
Estudo
da Lipodistrofia em Aids
Prof. Dirce Bonfim de Lima
Os
profissionais que lidam com HIV/Aids desde o início da década
de 80, trabalharam numa época sem disponibilidade de anti-retrovirais
( ARV ). Atualmente existe um número razoável destes medicamentos,
que trazem benefícios e também reações colaterais
para os pacientes. Objetivos: Avaliar se os doentes em uso de ARV têm
maior incidência de desenvolvimento de lipodistrofia. Material
e métodos: Pacientes de ambos os sexos soropositivos para HIV
e virgens de tratamento ARV foram convidados a participar de pesquisa
que constou de avaliação de dados antropométricos,
exames laboratoriais ( hemograma, bioquímica, dosagens hormonais,
CD4 e carga viral ). No interrogatório dirigido foi valorizado
o relato espontâneo de mudança da imagem corporal. Seguimos
as normas do Ministério da Saúde para o uso de ARV. Resultados
obtidos: Cinquenta e oito pacientes foram acompanhados de setembro de
1999 a setembro de 2001. Os pacientes que iniciaram esquema ARV apresentaram
níveis séricos expressivamente menores de HDL-colesterol
e de cortisol basal e níveis maiores de glicemia de jejum pós-prandial,
quando comparados aos que não usavam nenhum medicamento ARV.
Apesar destes resultados, nenhum caso individual de lipodistrofia foi
diagnosticado, visto que não houve relato espontâneo de
mudança da imagem corporal, considerado dado de maior valor diagnóstico.
O grupo de pacientes continua em acompanhamento. Conclusões:
O tempo de observação dos pacientes no estudo foi inferior
ao relatado na literatura para a ocorrência de lipodistrofia.
Nossa proposta inicial é que as alterações laboratoriais
apresentadas possam ser indicadoras preliminares do surgimento da síndrome.
Estudos
de aderência e etiopatogenia em microrganismos corineformes de
importância médica: caracterização biologia,
imunoquímica e molecular de fatores microbianos e celulares
Prof.
Arnaldo Feitosa Braga de Andrade
As
infecções causadas pelo C. diphtheriae ainda são
observadas em diferentes continentes, incluindo os países onde
ocorreu melhoria das condições sócio-econômicas
e a vacinação tem sido realizada de maneira satisfatória.
Os estudos moleculares demonstraram diversidade genética, geralmente
correlacionada com dados epidemiológicos, entre amostras de C.
diphtheriae. A susceptibilidade do C. diphtheriae à modificações
genéticas parece favorecer o aparecimento de epidemias em larga
escala. Os surtos epidêmicos descritos em alguns países,
inclusive no Brasil, assim como os quadros de infecções
invasivas foram relacionados com clones específicos de bacilo
diftérico. Pouco se sabe sobre os mecanismos de patogenicidade
de amostras atoxinogênicas de C. diphtheriae e de outras bactérias
corineformes , embora elas sejam capazes de causar infecções
diversas incluindo as invasivas frequentemente fatais. Os constantes
surtos epidêmicos de difteria, a participação do
C. diphtheriea e de outras espécies de corinebactérias
em processos infecciosos humanos e o aumento dos níveis de resistência
aos antimicrobianos justificam a realização de investigações
epidemiológicas, de estudos sobre a virulência bacteriana
e de pesquisas laboratoriais acessíveis e seguras para detecção
desses microrganismos. O atual risco de uma pandemia de difteria, associado
ao aumento das viagens internacionais e a emergência de clones
epidêmicos e invasores, reforçam a importância do
contínuo monitoramento da dispersão de clones e a distinção
entre os casos importados, endêmicos e epidêmicos, permitindo
a implementação de medidas preventivas, adequadas e rápidas,
de controle da difteria pelos órgãos de Saúde Pública
do País. O projeto visa investigar aspectos fenotípicos
e genotípicos de amostras de C. diphtheriae e de outras bactérias
corineformes isoladas de processos infecciosos diversos, ocorridos em
diferentes regiões do Brasil. Para tanto, os seguintes estudos
são propostos: Análise fenotípica pelos métodos
bioquímicos convencionais e pelo Sistema API-Coryne. Análise
do perfil de susceptibilidade aos agentes antimicrobianos pelos métodos
de difusão em ágar e E-Test; Avaliação da
aderência dos microrganismos às células hospedeiras,
e identificão de componentes bacterianos e receptores celulares
envolvidos no processo de aderência. Análise do perfil
de proteínas totais e de polimorfismo genético gerado
a partir de amplificação randômica de segmentos
de DNA (Random Amplified Polymorphic DNA Typing, RAPD-PCR). Pesquisa
da presença de gen tox pela técnica de PCR, da produção
de toxina diftérica através de métodos imunológicos
e análise do seu efeito citopático em culturas de células
VERO. Análise da heterogeneidade dos gene dtxR e do gene tox
pela técnica de Polimorfismo Conformacional de Fita Simples (Single-Strand
Conformation Polymorphism PCR - SSCP) utilizando iniciadores diversos,
e obtenção de sonda genética para a detecção
de gene tox e de gene dtxR espécie-específico. Este tema
configura-se relevante no esclarecimento dos mecanismos de aderência
do C. diphlheriae, visando, futuramente, contribuir para o desenvolvimento
de novas estratégias de prevenção e tratamento
da infecção inclusive pelo microrganismo atoxinogênico
(terapia anti-adesina). Além de estender o modelo de estudo de
aderência para as diversas espécies do gênero e outros
corineformes de importância médica. Os resultados obtidos
serão publicados em periódicos internacionais indexados
e comporão dissertações e teses de alunos da Graduação
e da Pós-Graduação. Os participantes do projeto
possuem ampla experiência no estudo da difteria e outras infecções
causadas por corinebactérias, constituindo o "Centro de Referência
Nacional para Difteria e outras Corinebacterioses" (Fundação
Nacional de Saúde, Ministério da Saúde) . No Brasil,
verificaram que amostras de C. diphtheriae do biotipo fermentador da
sacarose (sac +) predominam no trato respiratório enquanto o
biotipo (sac-) é isolado predominantemente da pele. Demonstraram
que os biotipos (sac+) e (sac-) interagem diferentemente com lectinas,
descreveram a presença de ácido N-acetilneuramínico
na superfície do microrganismo (Mattos-Guaraldi et al., 1999)
e sua incorporação por reação de trans-sialidase
(Mattos-Guaraldi et al., 1998). Os glicoconjugados funcionam como hidrofilinas
na superfície microbiana (Mattos-Guaraldi et al., 1999). Estudos
recentes demonstraram que a aderência de C. diphtheriae a células
HEp-2 correlaciona-se com a atividade hemaglutinante e com proteínas
da superfície bacteriana (Colombo et al., 2001).
Fatores
determinantes do caráter oportunista de Pseudomonas aeruginosa.
Prof. Maria Cristina Maciel Plotkowski
P.
aeruginosa são bactérias oportunistas. Em pacientes com
comprometimento de seus mecanismos de defesa causam, com freqüência,
infecções disseminadas. A interação dos
microrganismos com células de revestimento de vasos sanguíneos
é uma etapa indispensável tanto para sua disseminação
hematogênea quanto para o aparecimento de microabscessos metastáticos
em diversos órgão, achado freqüente no curso de processos
septicêmicos por P. aeruginosa. A invasividade bacteriana é
também favorecida pela capacidade de P. aeruginosa de aderir
e degradar componentes da matriz extracelular (MEC). Justifica-se, portanto,
o estudo da interação desses microrganismos com células
endoteliais humanas e com componentes da MEC. P. aeruginosa são
também agentes de infecções respiratórias
em pacientes com fibrose cística (FC), levando à deterioração
progressiva de sua função pulmonar. A identificação
de mecanismos favorecedores da aderência bacteriana às
células hospedeiras, da invasão microbiana e morte das
células infectadas possibilitará a adoção
de medidas profiláticas/terapêuticas que aumentem a sobrevida
dos pacientes com FC.
Fatores
do hospedeiro e do microrganismo associados à gênese da
diarréia aguda e persistente por Escherichia coli enteropatogênicas
Prof. João Ramos Costa Andrade
As
infecções intestinais ainda constituem importante causa
de morte em nosso país, particularmente entre crianças.
Entre as diarréias de etiologia bacteriana, aquelas causadas
por Escherichia coli diarreiogênicas destacam-se pela sua freqüência.
Neste projeto, investigamos propriedades de virulência de estirpes
de E.coli causadoras de diarréia aguda e persistente em crianças,
especialmente adesinas e invasinas bacterianas associadas à colonização
do intestino humano e a internalização microbiana nos
enterócitos. Adicionalmente, investigamos as bases moleculares
da invasão bacteriana, os mecanismos celulares e microbianos
envolvidos na multiplicação e persistência bacteriana
no interior dos enterócitos e a resposta celular decorrente da
interação com o microrganismo. Para estes estudos, utilizamos
modelos experimentais como cultura de células e biópsias
intestinais, empregamos drogas que interferem seletivamente com o citoesqueleto
e com vias de transdução de sinais dos enterócitos
e investigamos estruturas e funções microbianas através
de microscopia convencional e de fluorescência e de observações
ultraestruturais empregando microscopia eletrônica de transmissão
e de varredura. Até o momento, obtivemos evidências de
que certas estirpes de E. coli diarreiogênicas são capazes
de persistirem no interior de enterócitos humanos por tempo prolongado,
sem aparentemente causarem lesão significativa ou estimulação
à produção local de citocinas pro-inflamatórias.
Tal situação poderia justificar a existência de
portadores assintomáticos destes microrganismos, que não
apresentam reservatório animal. Por outro lado, verificamos importantes
diferenças na capacidade de associação e internalização
de algumas destas estirpes de E. coli relacionadas à acessibilidade
dos pólos apical e basolateral dos enterócitos, indicando
que o processo de aderência e invasão sofre modulação
decorrente do grau de polarização e diferenciação
do epitélio intestinal, com receptores distintos participando
das etapas de aderência e de internalização
Marcadores
de resistência a antimicrobianos associados a plasmídios
em espécies de Aeromonas isoladas de alimentos e espécimes
clinicos.
Prof. Angela Corrêa de Freitas Almeida
O interesse
pelo gênero Aeromonas foi renovado e intensificado nos últimos
20 anos devido a sua emergência na participação
em clínica médica, gerando um grande número de
estudos sobre a sua complexa taxonomia a fim de se identificar novas
espécies e definir grupos patogênicos para o ser humano,
assim como estabelecer os fatores de virulência destes microrganismos
potencialmente envolvidos no desenvolvimento das síndromes clínicas
. Diversas propriedades fenotípicas bacterianas, como resistência
a antimicrobianos ou fatores de virulência, têm sido relacionadas
a plasmídios em Aeromonas spp. A presença de plasmídios
nestes microrganismos potencialmente patogênicos representa um
risco, pois as características de resistência podem ser
transferidas a outros patógenos, ou ainda podem dificultar o
sucesso da antibioticoterapia em infecções provocadas
por cepas de Aeromonas spp. carreadoras destes elementos genéticos
. Considerando a carência de dados a respeito da presença
de marcadores de resistência a antimicrobianos associados a plasmídios
em espécies de Aeromonas spp. circulantes na nossa região,
nosso trabalho teve como objetivos, investigar o perfil de susceptibilidade
a diversos antimicrobianos, utilizando o teste de difusão a partir
de discos, determinar as Concentrações Mínimas
Inibitórias (CMI) para as cepas de origem clínica e de
alimentos que apresentaram resistência a pelo menos um dos antimicrobianos
(excetuando-se os -lactâmicos), verificar a presença de
plasmídios em cepas caracterizadas como resistentes e relacionar
o marcador de resistência aos plasmídios através
de cura e transferência do marcador por transformação.Com
os nossos resultados esperamos contribiur com a detecção
de cepas que apresentam potencial de resistência a diversos antimicrobianos,
com presença de plasmídios associados aos respectivos
fenótipos de resistência .Nossos achados representam a
importância do isolamento de cepas de Aeromonas com resistência
múltipla, associado a plasmídios, veiculados por alimentos.
Patologia
da infecção por Rhodococcus equi em pacientes com SIDA
Prof.
Daurita Darci de Paiva
O
pulmão é sede freqüente de infecção
oportunistas em pacientes portadores de infecção pelo
vírus da imunodeficiência humana, Rhodococcus equi bactéria
aeróbia, Gram positiva, intracelular facultativa, que se multiplica
em fagosomas de macrófagos, é bem conhecida na medicina
veterinária. Inúmeros casos de infecção
por R. equi foram relatados em pacientes com SIDA, neoplasias malignas
ou submetidos a terapia imunosupressora. O gênero Rhodococcus
está amplamente distribuídas na natureza, principalmente
no solo e em fezes de herbívoros. A primeira infecção
humana foi relatada por GOLUB et al. (1967), a partir de então,
vários casos foram descritos, a maioria, em pessoas com algum
tipo de imunodeficiência. Com o advento da SIDA, a infecção
por R. equi tornou-se mais um problema a ser enfrentado na clínica.
A patogenia da infecção por R. equi, no homem, não
está clara, mas a transmissão pode ocorrer através
do solo ou de animais contaminados e por inalação. Estudos
experimentais sugerem a bactéria é capaz de inibir funções
bactericidas oxidativas dos polimorfonucleares. O organismo sobrevive
dentro do fagosoma e inibe a fusão do fagolisosoma. Em associação
com a infecção por R. equi, foram relatados vários
casos de malacoplaquia, doença granulomatosa, pseudotumoral,
rara, caracterizada histologicamente pela presença de macrófagos/monócitos
e pelo achado de formações calcificadas intra e extracelulares,
denominadas corpúsculos de Michaelis-Gutmann. Descrita inicialmente
por Michaelis e Gutmann em 1902 e von Hanseman, a patogenia da malacoplaquia
não está completamente esclarecida. Acredita-se que seja
resultante de alteração dos macrófagos, provavelmente
a nível dos fagolisosomas, resultando numa digestão deficiente
das bactérias. O primeiro caso de malacoplaquia em paciente VIH+
e com SIDA foi relatado por SCANNELL et al. (1990). A partir de então,
outros casos foram descritos na literatura, todos eles em associação
com infecção por R. eqüi e localizados no aparelho
respiratório. Objetivos: Estudar as alterações
morfológicas da malacoplaquia e a infecção pulmonar
por R. equi, através de microscopias óptica e eletrônica
de transmissão. Metodologia: material de biópsias fixado
em formol tamponado à 10%, embebido em parafina, seccionado em
3-5 (m, corado por Hematoxilina e Eosina (H(E), PAS, Gram Brown-Brenn,
Fite e prata metenamina de Grocott. Para microscopia eletrônica,
o material fixado em parafina foi/será desparafinado em xilol,
pós-fixado em glutaraldeído a 2,5%, seguindo a rotina
para microscopia eletrônica. Resultados parciais: as alterações
produzidas por R. equi e os aspectos morfológicos da malacoplaquia,
com lesões em brônquio e parênquima pulmonar, em
pacientes HIV+, transplantados, com doenças crônicas e
neoplasias malignas foram observadas por vários autores. Em pacientes
com SIDA, todos os casos relatados na literatura mundial foram associados
com R. equi e, em geral, localizados no aparelho respiratório.
Os aspectos por nós observados às microscopias eletrônica
de transmissão, reforçam as hipóteses sobre a formação
de corpúsculos de Michaelis-Gutmann. No entanto, desconhecem-se,
até o momento, quais os mecanismos que favorecem o desenvolvimento
de malacoplaquia pulmonare por R. equi, principalmente em pacientes
VIH+. Diferentemente da malacoplaquia em testículos, próstata
e no trato urinário, que está comumente associada com
infecção por E. coli.
Patologia
da microsporidiose
Prof. Daurita Darci de Paiva
Microsporídios
são protozoários intracelulares obrigatórios, classificados
no filo Microspora. Espécies do gênero Encephalitozoon
tais como E. cuniculi, E. hellem e E. intestinalis (Septata) estão
relacionadas com a patogenia de peritonite, hepatite, infecção
ocular, infecção nasal e doença disseminada em
pacientes infectados pelo vírus da imunodeficiência humana
(HIV+). O diagnóstico de microsporídios pode ser feito
em microscopia óptica, através de colorações
pela Hematoxilina e Eosina (H(E), Giemsa e Gram (Brown-Brenn, Brown-Hopps).
Os parasitas são encontrados no centro da lesão em células
epiteliais, endoteliais ou macrófagos. Anticorpos anti-encefalitozoon
podem ser detectados em pessoas aparentemente sadias, sugerindo que
infecções subclínicas são comuns e que poderiam
ser reativadas em pacientes imunocomprometidos. Enterocytozoon bieneusi,
Encephalitozoon hellem, E. intestinalis e E. cuniculi são as
espécies mais freqüentes em pacientes infectados pelo HIV
e em paciente portadores de transplantes de órgãos .
Objetivos:
estudar a patogenia e identificar as diferentes esp/ecies de microsporios
em pacientes portadores da síndrome de imunodeficiência
adquirida (SIDA) e em pacientes transplantados.
Metodologia:
material de biópsias fixado em formol tamponado à 10%,
embebido em parafina, seccionado em 3-5 (m, corado por Hematoxilina
e Eosina (H(E), Giemsa, Gram Brown-Brenn, Fite e prata metenamina de
Grocott. Para microscopia eletrônica, o material fixado em parafina
foi/será desparafinado em xilol, pós-fixado em glutaraldeído
a 2,5%, seguindo a rotina para microscopia eletrônica.
Resultados
parciais: de trinta e nove biópsias (39) examinadas, nove (23%)
apresentaram alterações relacionadas à presença
de esporos de microsporídios. As vilosidades, duodenais ou ileais,
apresentaram atrofia de leve a grave, edema e aumento de plasmócitos,
macrófagos e linfócitos na lâmina própria.
Os esporos foram identificados no citoplasma de enterócitos,
na face luminal da célula, na porção basal e, raramente,
na lãmina própria Em cortes de tecidos corados por H(E,
Giemsa e Brown-Brenn.
Na
microscopia eletrônica de transmissão observamos formas
jovens, de limites pouco definidos, com presença de vários
núcleos, exibindo precursores do filamento polar (plasmódio
multinucleado); esporos revestidos por membrana constituída por
três camadas; células descamadas ou em processo de extrusão,
repletas de esporos maduros, foram vistas com freqüência.
A patogenia da mcrosporidiose ainda permanece pouco conhecida
Microsporídios
são protozoários intracelulares obrigatórios, classificados
no filo Microspora. Espécies do gênero Encephalitozoon
tais como E. cuniculi, E. hellem e E. intestinalis (Septata) estão
relacionadas com a patogenia de peritonite, hepatite, infecção
ocular, infecção nasal e doença disseminada em
pacientes infectados pelo vírus da imunodeficiência humana
(HIV+). O diagnóstico de microsporídios pode ser feito
em microscopia óptica, através de colorações
pela Hematoxilina e Eosina (H(E), Giemsa e Gram (Brown-Brenn, Brown-Hopps).
Os parasitas são encontrados no centro da lesão em células
epiteliais, endoteliais ou macrófagos. Anticorpos anti-encefalitozoon
podem ser detectados em pessoas aparentemente sadias, sugerindo que
infecções subclínicas são comuns e que poderiam
ser reativadas em pacientes imunocomprometidos. Enterocytozoon bieneusi,
Encephalitozoon hellem, E. intestinalis e E. cuniculi são as
espécies mais freqüentes em pacientes infectados pelo HIV
e em paciente portadores de transplantes de órgãos .
Objetivos:
estudar a patogenia e identificar as diferentes esp/ecies de microsporios
em pacientes portadores da síndrome de imunodeficiência
adquirida (SIDA) e em pacientes transplantados.
Metodologia:
material de biópsias fixado em formol tamponado à 10%,
embebido em parafina, seccionado em 3-5 (m, corado por Hematoxilina
e Eosina (H(E), Giemsa, Gram Brown-Brenn, Fite e prata metenamina de
Grocott. Para microscopia eletrônica, o material fixado em parafina
foi/será desparafinado em xilol, pós-fixado em glutaraldeído
a 2,5%, seguindo a rotina para microscopia eletrônica.
Resultados
parciais: de trinta e nove biópsias (39) examinadas, nove (23%)
apresentaram alterações relacionadas à presença
de esporos de microsporídios. As vilosidades, duodenais ou ileais,
apresentaram atrofia de leve a grave, edema e aumento de plasmócitos,
macrófagos e linfócitos na lâmina própria.
Os esporos foram identificados no citoplasma de enterócitos,
na face luminal da célula, na porção basal e, raramente,
na lãmina própria Em cortes de tecidos corados por H(E,
Giemsa e Brown-Brenn.
Na
microscopia eletrônica de transmissão observamos formas
jovens, de limites pouco definidos, com presença de vários
núcleos, exibindo precursores do filamento polar (plasmódio
multinucleado); esporos revestidos por membrana constituída por
três camadas; células descamadas ou em processo de extrusão,
repletas de esporos maduros, foram vistas com freqüência.
A patogenia da mcrosporidiose ainda permanece pouco conhecida
Microsporídios
são protozoários intracelulares obrigatórios, classificados
no filo Microspora. Espécies do gênero Encephalitozoon
tais como E. cuniculi, E. hellem e E. intestinalis (Septata) estão
relacionadas com a patogenia de peritonite, hepatite, infecção
ocular, infecção nasal e doença disseminada em
pacientes infectados pelo vírus da imunodeficiência humana
(HIV+). O diagnóstico de microsporídios pode ser feito
em microscopia óptica, através de colorações
pela Hematoxilina e Eosina (H(E), Giemsa e Gram (Brown-Brenn, Brown-Hopps).
Os parasitas são encontrados no centro da lesão em células
epiteliais, endoteliais ou macrófagos. Anticorpos anti-encefalitozoon
podem ser detectados em pessoas aparentemente sadias, sugerindo que
infecções subclínicas são comuns e que poderiam
ser reativadas em pacientes imunocomprometidos. Enterocytozoon bieneusi,
Encephalitozoon hellem, E. intestinalis e E. cuniculi são as
espécies mais freqüentes em pacientes infectados pelo HIV
e em paciente portadores de transplantes de órgãos .
Objetivos:
estudar a patogenia e identificar as diferentes esp/ecies de microsporios
em pacientes portadores da síndrome de imunodeficiência
adquirida (SIDA) e em pacientes transplantados.
Metodologia:
material de biópsias fixado em formol tamponado à 10%,
embebido em parafina, seccionado em 3-5 (m, corado por Hematoxilina
e Eosina (H(E), Giemsa, Gram Brown-Brenn, Fite e prata metenamina de
Grocott. Para microscopia eletrônica, o material fixado em parafina
foi/será desparafinado em xilol, pós-fixado em glutaraldeído
a 2,5%, seguindo a rotina para microscopia eletrônica.
Resultados
parciais: de trinta e nove biópsias (39) examinadas, nove (23%)
apresentaram alterações relacionadas à presença
de esporos de microsporídios. As vilosidades, duodenais ou ileais,
apresentaram atrofia de leve a grave, edema e aumento de plasmócitos,
macrófagos e linfócitos na lâmina própria.
Os esporos foram identificados no citoplasma de enterócitos,
na face luminal da célula, na porção basal e, raramente,
na lãmina própria Em cortes de tecidos corados por H(E,
Giemsa e Brown-Brenn.
Na
microscopia eletrônica de transmissão observamos formas
jovens, de limites pouco definidos, com presença de vários
núcleos, exibindo precursores do filamento polar (plasmódio
multinucleado); esporos revestidos por membrana constituída por
três camadas; células descamadas ou em processo de extrusão,
repletas de esporos maduros, foram vistas com freqüência.
A patogenia da mcrosporidiose ainda permanece pouco conhecida
Prevenção
da transmissão vertical do HIV
Prof.
Haroldo José de Matos e Prof. Ronaldo Curi Gismondi
A
via de transmissão de mãe para filho é um dos aspectos
mais dramáticos vividos pela mulher infectada pelo HIV. E é
particularmente importante devido à característica de
feminização que a epidemia tem assumido em nosso país.
A
taxa de transmissão do vírus da mãe infectada para
o filho está em torno de 25%, chegando até 40% na África,
sem qualquer tipo de intervenção, segundo estimativas
da literatura (Mandelbrot, 1998). Após a introdução
da profilaxia com AZT, essa taxa foi reduzida para 7,6%. E dados mais
recentes, sobre intervenções que incluem outras drogas
além do AZT, conseguiram reduzir ainda mais essa taxa para valores
em torno de 2% (Moffenson, 1999). No Brasil, há poucos estudos,
e a taxa de transmissão do vírus sem intervenção
ficava em torno de 16 a 39 % (Rubini, 1996; Tess, 1998). Em estudo realizado
no Rio de Janeiro em 1998, com profilaxia anti-retroviral com ZDV, a
taxa de transmissão ficou em 7,9%, e um estudo mais recente,
apresentado em Durban, na África do Sul, a taxa ficou em 6,0
%. (Nogueira, 2001). Alguns relatos trazem evidências edicionais
de que a associação de drogas anti-retrovirais em um esquema
terapêutico altamente agressivo, incluindo além da ZDV,
o 3TC, e Inibidores de Protease (HAAR-highly active anti-retorviral
therapy) pode reduzir a transmissão vertical a um evento raro.
Um dos objetivos mais importantes dessa terapia agressiva é a
redução da carga viral nas mães (para taxas abaixo
de 1000 cópias por ml). O que alguns pesquisadores têm
ponderado, no entanto, é que se por um lado essa associação
de drogas previne de modo significativo a transmissão vertical,
por outro lado existe uma probabilidade maior de que surja resistência
do vírus a uma ou mais drogas componentes da associação.
Essa observação é importante porque pode comprometer
a qualidade do tratamento da mãe após o parto. Portanto,
é importante definir que associações são
efetivamente mais importantes na redução da transmiossão
vertical, bem como é necessária uma melhor definição
do tempo de uso desses medicamentos durante a gestação.
Apesar
da redução significativa obtida pela quimioprofilaxia/quimioterapia
na transmissão vertical, permanece ainda uma probabilidade de
infecção. Essa probabilidade residual poderia estar associada
a fatores associados à transmissão intra-uterina, que
seria menos sensível à profiliaxia com antiretrovirais.
O
objetivo básico deste projeto é discriminar fatores de
risco adicionais especificamente ligados à transmissão
intrauterina. Essa discriminação é importante,
pois ela pode tornar mais clara a estratégia de intervenção
medicamentosa mais efetiva para a prevenção da transmissão
vertical do HIV, de modo a não prejudicar também o tratamento
materno a longo prazo. Para isso, a estratégia para identificação
da infecção intra-uterina da criança a ser adotada
será baseada no método do PCR que amplia RNA, para a detecção
de vírions livres, durante as primeiras 48 horas após
o parto. Esse teste será repetido após 14 dias, e aos
6 meses de idade. Após os 18 meses será realizado o teste
de ELISA para a detecção de imunoglobina G anti-HIV.
Regulação
da resposta imune celular a agentes infecciosos
Prof. Geraldo Pereira e Prof. Maria
Cristina V. Pessolani
O
contato do sistema imune com estímulo antigênico persistente
induz um espectro de padrões de resposta, com participação
predominante de imunidade humoral ou celular, ou mesmo situações
em que ocorrem estados que poderiamos chamar de "não-resposta
imunológica". Os mecanismos envolvidos na diferenciação
da resposta imune celular a estímulo persistente tem uma relevância
fundamental para o esclarecimento da biologia do sistema imune, e grande
importância prática, pois a interação do
sistema imune humano com estímulos persistentes está associada
a doenças alérgicas(antígenos ambientais), infecções
( hanseníase, paracoccidioidomicose, tuberculose, leishmaniose,
...), e sobrevivência de órgãos transplantados.
Este projeto investiga, em pacientes com infecções crônicas
e seus contatos saudáveis, os seguintes aspectos básicos:
1- Perfis de produção de citocinas em resposta ao agente
infeccioso, e sua associação com resistência e susceptibilidade
à infecção. 2- O papel de componentes micobacterianos,
principalmente glicolipídios, como agentes moduladores de ativação
de linfócitos T e fagócitos mononucleares. Os padrões
de resposta imune humana são investigados neste projeto , através
de métodos para identificação de subpopulações
leucocitárias envolvidas e sensíveis às ações
biológicas de componentes purificados de agentes infecciosos
(culturas de leucócitos sanguíneos, quantificação
de mediadores e citometria de fluxo). Observações mais
recentes neste projeto evidenciaram associação de perfil
"T helper O" de produção de citocinas com proteção
contra infecção, enquanto respostas "T helper 1" ou anergia,
foram associadas a lesão inflamatória e doença
em hanseníase. Outros experimentos mostraram que o glicolipídio
fenólico-I ( PGL-I), um componente do envelope micobacteriano,
presente no M. leprae e semelhante a outros glicolipídios micobacterianos,
inibe seletivamente a expressão de CD28, bem como eventos precoces
de ativação em linfócitos T (Modulação
negativa do complexo CD3, indução de CD 69, CD25 e produção
de interleucina-2).
Um
modelo experimental para o estudo da interação entre a
esquistossomose mansônica e distúrbios nutricionais ou
hormonais do hospedeiro murino
Prof. José Roberto Machado e Silva
As
condições fisiológicas do hospedeiro desempenham
papel fundamental na interação do S. mansoni. Temos verificado
que os vermes, de ambos os sexos, são afetados por algumas modificações
metabólicas do hospedeiro como a diabetes mellitus e a subnutrição.
Animais desnutridos não apresentam a fibrose de Symmers, o tegumento
e o aparelho reprodutor dos vermes são alterados. Nos camundongos
diabéticos, o número de ovos eliminados nas fezes e a
sua maturidade são reduzidas na parede intestinal. Entretanto,
não é conhecido se existe uma relação entre
estas alterações e alterações funcionais
na biologia do parasito ou na evolução da infecção.
Além disso, não está plenamente esclarecido como
as mudanças hormonais podem afetar a relação entre
o helminto e o hospedeiro. A conclusão deste projeto poderá
contribuir para a compreensão dos mecanismos fisiopatológicos
destas doenças, a partir da extrapolação do estudo
em animais, que devido à sua complexidade e as questões
éticas, não podem ser obtidos a partir de estudo em seres
humanos. Objetivos: Avaliar a influência de alterações
metabólicas (subnutrição, diabetes mellitus e colesterolemia)
do hospedeiro sobre o quadro parasitológico, as características
fenotípicas dos vermes adultos e na formação do
granuloma esquistossomótico hepático; Dosar os hormônios
da tireóide, do timo, os sexuais e o colesterol nos animais experimentalmente
infectados, em diferentes semanas de infecção. Metodologia:
Nos vermes adultos isolados de camundongos realizar estudo morfológico
por microscopia de luz, microscopia de varredura laser confocal e microscopia
eletrônica de varredura. O acompanhamento da infecção
é realizado por exame de fezes, contagem de ovos nos tecidos
e estudo histopatológico do fígado, baço, pâncreas
e intestino.
Avaliação
da resposta imune celular associada à cura e à proteção na leishmaniose
tegumentar americana.
Prof. Alda Maria Da-Cruz
Durante
a doença ativa, pacientes de leishmaniose tegumentar americana (LTA)
apresentam uma indução preferencial de células T CD4+ reativa a antígenos
de Leishmania e um perfil misto de produção de citocinas (IFN-g, IL-4,
IL-5). A evolução para cura está associada a um aumento de linfócitos
CD8+ e ausência de IL-4. Neste projeto pretende-se avaliar os mecanismos
imunológicos associados ao desenvolvimento das lesões, bem estabelecer
a função de celulas efetoras responsáveis pela imunidade duradoura que
se estabelece anos após a cura clínica da doença. Serão estudados pacientes
de leishmaniose cutânea, mucosa e disseminada antes e após o tratamento,
bem como anualmente após o tratamento. Serão analisados a resposta proliferativa
de linfócitos, a caracterização do fenótipo celular e funcional de linfócitos
reativos a antígenos do parasito, quantificação de citocinas (IFN-g,
TNF-a, IL-18, IL-4, IL-5, IL-10, TGF-b) no sobrenadantes de cultura
de mononucleares e intracelulares, atividade citotóxica específica.
Os perfis de resposta imune celular identificados serão correlacionados
com a parâmetros clínico-evolutivos apresentados pelos pacientes.
Estudo
do infiltrado inflamatório de lesões de leishmaniose tegumentar americana.
Prof. Alda Maria Da-Cruz
O
infiltrado inflamatório de lesões de leishmaniose tegumentar americana
(LTA) é predominantemente mononuclear, composto por linfócitos de "memória"
não havendo diferenças entre células respondedoras para Leishmania,
quanto para outros antígenos parasitários estão presentes nas lesões
e produzem IFN-g. Isto sugere que linfócitos específicos para outros
antígenos possam modular a evolução das lesões de leishmaniose. Serão
estudados as lesões e o sangue periférico de pacientes com leishmaniose
cutânea, mucosa e disseminada antes do tratamento. As células mononucleares
das lesões dos pacientes serão avaliadas ex vivo quanto ao fenótipo
celular, expressão de moléculas de adesão e de moléculas induzidas durante
a ativação. Paralelamente, estas células serão estimuladas in vitro
com antígenos de Leishmania e, como controle serão utilizados outros
antígenos (Toxoplasma gondii, Trypanosoma cruzi, PPD e toxóide tetânico).
Os seguintes parâmetros serão estudados: resposta proliferativa de linfócitos,
análise da freqüência de linfócitos respondedores a antígenos parasitários,
quantificação de citocinas (sobrenadante, intracelular e frequência
de células produtoras - ELISPOT), caracterização fenotípica qualitativa
e funcional, análise das moléculas envolvidas na migração linfocitária
entre o sangue e a lesão, citoxicidade específica. O perfil de resposta
imune obtido será correlacionado aos parâmetros clínico-evolutivos das
lesões.
Identificação
e caracterização molecular de genes reparadores de DNA lesado por agentes
oxidativos em Leishmania amazonensis.
Prof. Alexandre R. Bello
Diferente
de outros tripanossomatídeos, parasitos do gênero Leishmania multiplicam-se
no interior dos fagolisossomos dos macrófagos. Portanto, estes parasitos
devem ser capazes de sobreviver à produção de espécies ativas de oxigênio
como peróxido de hidrogênio e óxido nítrico, entre outros potenciais
agentes lesivos normalmente encontrados nestas organelas. Experimentos
realizados pelo nosso grupo em promastigotas de Leishmania amazonensis,
indicam claramente a existência de mecanismos eficientes de reparo das
lesões introduzidas no DNA, tanto por espécies reativas de oxigênio
quanto de nitrogênio, mecanismos extremamente importantes para a sobrevivência
destes parasitos. O isolamento e a caracterização molecular de genes
homólogos de reparo de lesões oxidativas em DNA se constituirão na base
da elaboração de linhagens geneticamente modificadas de L. amazonensis
que serão empregadas em estudos de sobrevivência celular in vitro e
in vivo. Macrófagos em cultura podem ser estimulados a produzir artificialmente
óxido nítrico pela incubação com interferon-gama e lipopolissacarídeos
(LPS). Embora esta estimulação possa resultar na produção de NO, radicais
superóxido ou ambos, somente o NO possui atividade leishmanicida. A
correlação da expressão destas respostas celulares nas linhagens a serem
desenvolvidas poderão representar achados novos e importantes para a
compreensão do estabelecimento da infecção destes parasitos. OBJETIVO
GERAL: Isolamento e a caracterização molecular de genes homólogos, capazes
de repararem lesões oxidativas em DNA de L. amazonensis . Síntese da
Metodologia: Efeitos da menadiona (MD) e peróxido de hidrogênio na sobrevivência
celular de cepas de E. coli e L. amazonensis. Caracterização molecular
de genes reparadores de lesões oxidativas. Confecção de mutantes de
L. amazonensis apex-.
Complementação
Funcional e Estudos in vitro e in vivo do gene apex (Lamap) de Leishmania
amazonensis.
Prof. Alexandre R. Bello
Membros
constituintes da família das proteínas conhecidas como AP-Endo/Exonucleases
(AP ou APEX) estão envolvidos no reparo de lesões introduzidas no DNA
por agentes como as drogas antitumorais bleomicina e neocarzinostatina,
ou aquelas que geram radicais de oxigênio e/ou nitrogênio Os principais
relatos encontrados sobre genes da família das AP-endonucleases em tripanossomatídeos
na literatura nos últimos cinco anos endereçam somente alguns aspectos
bioquímicos da participação destes genes nos mecanismos de reparo de
lesões oxidativas no DNA. A nível molecular estes descrevem estudos
de complementação gênica não sendo esclarecedores ao nível de que forma
a interferência na expressão destes poderá contribuir para a infectividade,
virulência ou sobrevivência destes protozoários in vitro e in vivo.
Nosso trabalho tem como objetivos o emprego da cepa BW535 mutante de
E. coli (linhagem xth-, nfo-e nth-) para endereçar questões relativas
a capacidade de reparo de lesões oxidativas do gene apex homólogo de
L. amazonensis (Lamap). Pretendemos ainda, através de abordagem molecular,
utilizando leishmânias transfectadas com plasmídios (pXG) expressando
o gene Lamap produzindo RNAs no sentido correto da seqüência aberta
de leitura, assim como no sentido reverso (RNAs antisentido), modular
o nível de expressão destes genes através da seleção dos parasitos em
meios de cultivo em concentrações crescentes dos antibióticos G418 (NEO)
e/ou Higromicina B Fosfotransferase (HYG). Estes transfectantes serão
empregados em ensaios in vitro com macrófagos de cultura e peritoniais,
bem como in vivo com camundongos C57BLACK/6 e BALB/c.
Ocorrência,
diagnóstico clínico-laboratorial, etiologia, tratamento e seqüelas de
processos infecciosos que transcorrem nas mucosas naso-sinusais, faringo-laríngeas
e do ouvido
Prof. Roberto Meirelles
Neste
projeto, investigamos vários aspectos dos processos infecciosos que
ocorrem nas mucosas naso-sinusais e faringo-laríngeas ou levam a repercussões
importantes na audição, especialmente em crianças. Assim, pesquisamos
vírus e bactérias e avaliamos a microestrutura do tecido adenóideo e
amigdaliano de crianças e adolescentes que foram submetidos a extirpação
cirúrgica de adenóide e amígdalas. Em relação as sinusites infecciosas,
as suas complicações são estudadas com o objetivo de identificarmos
os agentes etiológicos e os fatores predisponentes e avaliarmos as manifestações
clínicas e as formas de tratamento, bem como a evolução das seqüelas
das complicações destas infecções. Quanto a Rinite Atrófica Secundária
, estudamos o crescimento da incidência desta afecção causada por variados
agentes etiológicos na população urbana e na rural, onde parece ser
mais freqüente. Nestas investigações, temos particular interesse na
avaliação dos meios de diagnóstico e no estudo da evolução dos casos.
Finalmente, em relação as disacusias de etiologia infecciosa, estudamos
as suas características clínicas e as formas de prevenção e tratamento.
Estas afecções vem apresentando significativo aumento na incidência,
tanto nas suas formas temporárias como nas definitivas, mais graves.